Business Angels: quem são e como podem ajudar os empreendedores?

Business AngelsAntes de mais os Business Angels são investidores com uma larga experiência e um dom de conseguirem percecionar os melhores negócios e os empreendedores com maior potencial. E o nome – Business Angels – é indicador dos benefícios que trazem. O investimento feito pelos Business Angels tem um nome: Smart Money. Porque além de injetarem dinheiro, oferecem a sua própria experiência e contactos para os projetos que apoiam.

Mas quem são afinal os Business Angels e como podem ajudar os empreendedores em Portugal?

Os Business Angels (BA) são, muitas das vezes, os primeiros investidores que o empreendedor conhece e têm um papel essencial nas primeiras fases do projeto. São profissionais que gozam de um enorme know how na área da gestão e que apoiam o empreendedor de duas formas: injetando capital no projeto e oferecendo a sua experiência, ajudando-o do ponto de vista estratégico e a arrajnar os contactos ideais, sejam eles parceiros ou clientes. Isto é puro networking. Colocar o novo empreendedor numa esfera de contactos de confiança é muitas das vezes o contributo mais valorizado, pois é o que vai potenciar a continuidade do projeto/empresa. Por estas razões se diz que os BA investem com smart money.

Mas nem tudo são facilidades. Esta é uma posição de alto risco, logo de grande responsabilidade. Os Business Angels investem geralmente quantias avolumadas de dinheiro, pelo que a sua exigência é altíssima.

Só em 2010, a Associação Portuguesa de Business Angels (APBA), analisou 120 projetos e investiu apenas em oito. Entre 2010 e 2012, os membros da APBA tinham cerca de sete milhões de euros para investir em startups e a Federação Nacional de Business Angels pretendia investir até junho de 2013, 39 milhões de euros.

É muito dinheiro, muita responsabilidade, muitas exigências. Só os mais promissores têm direito a serem tocados por estes “anjos”. Assim, os empreendedores que queiram ver o seu projeto subir à ribalta, têm de atrair não apenas com estratégia, mas com a verdade. Este é um jogo em que  “o que parece tem mesmo de ser”.

 

O QUE ATRAI UM BUSINESS ANGEL

Uma boa equipa. O líder tem de ser uma pessoa íntegra. Entusiasmo na defesa da ideia e credibilidade do percurso são os requisitos mais apontados pelos BA. A equipa deve ainda ser pluridisciplinar e ter alguma experiência de trabalho em conjunto.

Uma oportunidade muito bem identificada.  O ideal é uma ideia única, que não seja facilmente copiável nos próximos tempos. O BA precisa de ter alguma garantia de que conseguirá um bom retorno quando deixar a empresa.

Um projeto escalável. O potencial de internacionalização é fundamental para atrair a atenção e o dinheiro do BA. O seu risco é elevado e só se justifica investir em projetos que tenham uma capacidade muito forte de crescer.

 

O QUE EXIGE EM TROCA DO INVESTIMENTO

Participação no capital.  Não encontrará um BA disponível para ficar com a maioria na empresa, esta será sempre minoritária. O objetivo dos BA é fazerem com que o empreendedor sinta o projeto como seu.

Dedicação total da equipa. No início, alguns BA poderão admitir que um dos membros da equipa tenha uma atividade paralela. O mesmo não se passará quanto ao líder. Este tem de se dedicar a 100% à empresa.

Capacidade de interação com o mentor. Há pessoas muito competentes e com ideias brilhantes, mas que não estão dispostas a ouvir os outros. Geralmente a ideia inicial é ajustada e o BA é fundamental nesse processo.

Transparência na relação. Os BA não são muito fãs de surpresas, uma vez que o seu objectivo é acrescentar valor ao projeto e isso só é conseguido através de uma interação frequente com o empreendedor, para estar sempre informado dos passos estratégicos da empresa.

 

DESCONFIE DE UM BUSINESS ANGEL QUE LHE EXIGIR…

Um salário - Não faz sentido pedirem um salário em troca do apoio que vão dar ao projeto. Este tipo de investimento é de risco e o BA está preparado para perder dinheiro, se for esse o caso, e não para ganhar um salário enquanto mantiver a participação na empresa.

Cláusulas de exclusividade longas. Não tem lógica, porque o objetivo do BA é rentabilizar o investimento o mais rápido possível. Além disso, manter esta cláusula pode inibir a empresa de recorrer a outras fontes de financiamento, como o capital de risco, que é fundamental para ajudar a empresa a crescer.

Garantias reais. Nenhum BA lhe vai exigir bens em troca do capital investido, nem juros. Estes investimentos são de risco elevado, mas essa é a missão do BA.

 

ERROS QUE NÃO DEVE COMETER

Valorizar mais a tecnologia do que o mercado. Perceber qual o valor que a tecnologia vai acrescentar ao cliente é o primeiro passo, e nunca pôr a tecnologia à frente do mercado. Tentar vender uma tecnologia que não se percebe para que serve é como querer ficar rico vendendo areia na praia – ninguém vai querer pagar por ela.

Sobrevalorizar o projeto.  Se o BA aposta no seu projeto é porque acredita que a sua ideia vai valer milhões, uma vez que estes investidores procuram projetos milionários, mas não caia no erro de exigir uma participação em função do valor que você acha que a empresa vai ter no mercado, mas que ainda não tem.

Falta de preparação na abordagem aos investidores. A preparação é essencial e se em muitos encontros de networking o habitual é apresentar a sua empresa em 60 segundos, aqui terá 90 para mostrar o que vale. Deverá fazer uma apresentação que mostre ter total conhecimento do projeto, do mercado e dos potenciais clientes. Não pode haver a mínima possibilidade de erro.

Ausência de estratégia. A área geográfica que vai cobrir, as indústrias e os segmentos a que o produto ou serviço se destina têm de estar muito bem explicados e identificados no plano de negócios. Não perca tempo, nem “queime cartuchos”, querendo reunir-se com o Business Angel antes de ter a sua estratégia bem delineada.

Equipa desadequada. O BA não gosta de investir em empresários solitários. Ter uma equipa é fundamental para transformar uma ideia num bom negócio. Ninguém consegue dominar todas as áreas e a empresa não deve ficar demasiado dependente de uma só pessoa.

 
 

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